As aranhas somos todas bolcheviques

<<As aranhas são animais controladores, fechados no seu próprio território, insociáveis, embora as aparências. O observador que se aplicar a estudá-las verá que tecem uma rede para unir tudo, como ativistas de corpúsculos marxistas. É inútil tentar com elas a terna mensagem da democracia. Por muito que procurem apresentar-nos como seres repugnantes, como animais sanguinários que devoram moscas, somos formosas. Construímos obras de arte efémeras, as aranheiras, transparentes e delicadas. Somos artistas da transparência e da disciplina. Não nos concerne o discurso da horizontalidade tão em moda: as aranhas não assistimos a assembleias. Não acreditamos no ruído. Sabemos que ser aranha é um destino, um fado, que nos torna depredadoras ou depredadas. É por isso que nunca foram vistas três ou quatro aranhas a partilharem um espaço; nem saberíamos como agir num triângulo. Cada uma tem a sua própria missão: a revolução depende de que cada aranha no seu recanto faça uma rede perfeita. Não nos permitimos erros. De pura perfeição, quando amamos, entregamo-nos ao orgasmo múltiplo, tão intensas e exageradas.>>

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