INESSA

INESSA ARMAND,
A PROTAGONISTA

Revolucionária bolchevique, Inessa Armand (1874-1920) nasceu numa família de origem francesa instalada na Rússia. Após o seu matrimónio com um proprietário rural da alta burguesia com quem teve quatro filhos, subverteu todas as normas da sua sociedade ao marchar aos 28 anos com o seu cunhado, de 17, com quem tem o quinto. Lutadora incansável, feminista, é enviada ao pior dos ostracismos, o Ártico, porque na sua casa se celebravam reuniões anti-czaristas e se encontraram leituras marxistas. À volta do exílio, ingressa no Partido Bolchevique onde chega a ocupar altas responsabilidades. Inessa Armand, mulher de nome esquecido, foi capaz de romper todas as convenções para construir um mundo novo. No entanto, apenas é lembrada com uma frase: “a amante de Lenine”.

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Inessa com as suas amigas

Eloquente imagem à hora de questionar a proverbial dureza das mulheres bolcheviques. A existência obriga a sobrelevar pesos mas para a Inessa há amizade e ternura, há alegria, há paixão: a da erótica e a da política.

 

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Alexander e Inessa no seu casamento

Chamava-o Sasha e casou com ele aos 19 anos. O amor, o nascimento d@s filh@s, o desamor, a separação física e emocional não conseguiriam evitar nunca uma terna amizade. Sasha mantém Inessa toda a vida, faz achegas económicas ao Partido Bolchevique, colabora para que @s filh@s passem todo o tempo possível com a sua mãe. Os Armand não são uma família como todas as demais famílias.

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Tardes de verão em Pushkino

A mãe apoia-se no assento, fatigada. Lutar com as crianças é assim tão cansativo… Nas tardes de verão, os jardins da casa familiar levam perfume das rosas e dos tempos de infância e a Várvara (a mais nova) e a Inna (a mais velha) olham para a câmara seguras de si, seguras de que todas as tardes de verão são iguais. Ainda não sabem que em poucos meses, a Inessa será detida. Passará dois anos no Ártico, afastada de Alexander, Fédor, Vládimir, Inna, Várvara e Andrei, os seus filhos e filhas. Uma Ostrácia não é como todas as demais Ostrácias.

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Inessa em 1920, pouco antes de morrer

Entre 1910 e 1920 a Inessa participa ativamente na direção do Partido Bolchevique, forma-se,  recolhe fundos, faz tarefas de agitação e propaganda, dirige o Rabotnitsa, jornal para mulheres, participa nos grandes encontros do Socialismo europeu em representação de Lenine. A Inessa é pura entrega. Ao leninismo. Em sentido político mas nem só. Ela é quem faz o trabalho sujo. Ela é quem se assegura de que as posições de Lenine se imponham. Para 1920 não tem já nenhum sonho que cumprir. Apaga-se.